sábado, 20 de maio de 2017

Manuscritos do Mar Morto

O Verdadeiro Tesouro dos Manuscritos do Mar Morto


 Peter Colón
“A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices [...] são mais desejáveis do que ouro, [...] em os guardar há grande recompensa [...] Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata” (Salmo 19.7,10-11; Salmo 119.72).

Muhammad estava agitado e inquieto. Sua cabra travessa tinha sumido. Ao vaguear sem rumo longe de seu rebanho e de seus amigos, o beduíno chegou a uma caverna que ficava em posição elevada e dava frente para a costa noroeste do Mar Morto. Por pensar que o animal desgarrado tivesse se perdido dentro da caverna, o beduíno começou a jogar pedras pela entrada da gruta a fim de fazê-lo sair lá de dentro. Quando ele ouviu o ruído das pedras que batiam em peças de cerâmica, ficou intrigado. Será que lá dentro da caverna poderia haver um tesouro escondido? Com toda a empolgação, ele correu até a entrada da caverna, porém, no interior dela não encontrou ouro, nem prata, apenas jarros grandes e antigos ao longo das paredes, os quais continham rolos de pergaminhos despedaçados. Ele pensou: “pelo menos os pergaminhos de couro vão servir para fazer correias e tiras de sandálias”. Lamentavelmente, Muhammad não conseguiu perceber a real importância daquele momento. A teimosia de sua cabra o levara àquela que pode ser considerada, nos tempos modernos, a maior descoberta de manuscritos: uma incalculável reserva entesourada da Palavra escrita – os Manuscritos do Mar Morto.

Beduínos não marcam o tempo como os ocidentais, mas assemelham-se aos seus antepassados; sua concepção de tempo e momento está relacionada com outros acontecimentos. Assim, não se pode datar essa descoberta com precisão. Após uma revisão, a nova data para a descoberta do primeiro rolo de manuscritos é a de 1935 ou 1936. A partir de então até o ano de 1956, muitos outros manuscritos foram achados. Acredita-se que esses manuscritos sejam de datas diferentes, as quais variam do século III a.C. até o século I d.C. A maior parte deles foi descoberta em cavernas de formação calcária em Qumran, situadas exatamente a noroeste do Mar Morto. A maioria dos pergaminhos é escrita em hebraico; o restante deles é escrito em aramaico e grego. Foram achados mais de 900 documentos, que correspondem a 350 obras distintas em suas múltiplas cópias. Muitos dos escritos bíblicos e extrabíblicos estão representados em pequeníssimos fragmentos. Só em uma caverna foram encontrados 520 textos, na forma de 15 mil fragmentos. Como se pode imaginar, juntar todos esses pedaços de pergaminho na sua respectiva posição para que se faça a tradução tem se constituído numa tarefa gigantesca.

A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto confirma aquilo que as pessoas que crêem na Bíblia sempre souberam, ou seja, que a Bíblia, tal qual a temos naatualidade, é um texto que passa nos testes de fidedignidade. Na foto: as cavernas de Qumran.

A descoberta dos Manuscritos do Mar Morto confirma aquilo que as pessoas   
que crêem na Bíblia sempre souberam, ou seja, que a Bíblia, tal qual a temos na atualidade, é um texto que passa nos testes de fidedignidade. Apesar dos ataques contra a Bíblia, a Palavra de Deus permanece para sempre: “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam” (2 Samuel 22.31).

Sempre houve pessoas que questionaram a confiabilidade das Escrituras. Uma vez que o texto foi copiado e re-copiado ao longo dos séculos, os críticos alegam que é impossível saber-se com certeza o que os escritores bíblicos escreveram ou queriam dizer originalmente. Os Manuscritos do Mar Morto invalidam tal hipótese ou suposição no que se refere ao Antigo Testamento. Foram achadas entre 223 e 233 cópias das Escrituras Hebraicas, as quais foram comparadas com o texto atual. O único livro do Antigo Testamento que não foi encontrado nessa descoberta é o livro de Ester. É possível que ele esteja oculto numa caverna ainda não identificada de algum lugar isolado.

Antes dessa descoberta, os manuscritos mais antigos das Escrituras Hebraicas datavam do século IX d.C. ao século XI d.C. Tais manuscritos constituem aquele que é chamado de Texto Massorético, termo este originado da palavra hebraica masorah que significa “tradição”. Os escribas judeus de Tiberíades, denominados massoretas, procuraram meticulosamente padronizar o texto hebraico e sua pronúncia; a obra que realizaram ainda é considerada uma referência confiável nos dias de hoje. Os manuscritos de Qumran são, no mínimo, mil anos mais antigos que o Texto Massorético. Na realidade, esses manuscritos são até mesmo mais antigos que a Septuaginta, uma tradução grega do Antigo Testamento elaborada no Egito durante o período de 300 a 200 a.C.

Vasos encontrados em Qumran.

Comparações minuciosas têm sido feitas entre o Texto Massorético e os Manuscritos do Mar Morto. Encontraram-se diferenças insignificantes de ortografia e gramática. Os críticos e céticos em relação à Bíblia ficaram surpresos quanto à maneira pela qual o texto daqueles manuscritos se assemelha ao texto atual. Eles não encontraram nenhuma objeção evidente às principais doutrinas das Escrituras Sagradas. A parte bíblica da literatura descoberta em Qumran confirma o estilo de expressão verbal e o significado do Antigo Testamento que temos em nossas mãos na atualidade: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39).

Além das cópias das Escrituras do Antigo Testamento, as cavernas do Mar Morto também nos proporcionaram outras obras escritas. Esses documentos descrevem o estilo de vida e as crenças da misteriosa comunidade que viveu na região de Qumran. Embora não sejam escritos bíblicos, são registros valiosos que possibilitam a compreensão do contexto de vida e da cultura na época do Novo Testamento. Infelizmente os estudiosos dão mais atenção a essas obras de menor relevância do que às Escrituras, ainda que os textos bíblicos sejam mais importantes para os problemas da vida, pois o legítimo plano de Deus para a redenção da humanidade só se encontra no texto da Bíblia.

Uma Exatidão Maravilhosa


O grande rolo de Isaías, encontrado quase intacto em Qumran.

O Manuscrito do Livro [i.e., rolo] de Isaías encontrado na caverna 1 da região de Qumran oferece um sensacional exemplo da transmissão exata do texto na tradução. Acredita-se que esse extraordinário manuscrito date de cem anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Foi um manuscrito semelhante a esse que Jesus utilizou na sinagoga da aldeia de Nazaré, quando leu a seguinte passagem das Escrituras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres” (Lucas 4.18; Isaías 61.1). Ele continuou a leitura até determinado ponto. Em seguida, devolveu o livro [i.e., rolo] ao assistente da sinagoga e se sentou. Enquanto todos tinham os olhos fitos em Jesus, Ele declarou que aquela porção das Escrituras acabara de se cumprir diante dos ouvintes. Dessa forma, Jesus afirmou claramente ser Ele mesmo o Messias de Deus, vindo ao mundo para conceder a salvação a todo aquele que O receber.

A mesma passagem bíblica traduzida diretamente a partir do Manuscrito do Livro de Isaíasdescoberto em Qumran (o qual é cerca de mil anos mais antigo do que o manuscrito hebraico [i.e., o Texto Massorético] no qual se basearam as outras traduções), é praticamente idêntica: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque YHVH [N. do T., o tetragrama sagrado em hebraico que se refere ao nome supremo de Deus: Yahveh ou Javé] me ungiu para pregar as boas novas aos quebrantados”. A integridade da reivindicação de Cristo, conforme está escrita em nossas Bíblias, se confirma.

É fascinante que os manuscritos achados com mais freqüência em Qumran, sejam completos, sejam na forma de pequenos fragmentos, referem-se aos mesmos livros da Bíblia geralmente citados no Novo Testamento: Deuteronômio, Isaías e Salmos. Tal fato desperta um interesse ainda maior à luz das próprias palavras de Jesus concernentes às Escrituras Hebraicas:

“A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lucas 24.44).

Muitos outros exemplos poderiam ser citados. O fato principal acerca da Bíblia e desses rolos de manuscritos resume-se naquilo que um grande expositor das Escrituras, o inglês G. Campbell Morgan (1863-1945), certa feita compartilhou: “Não existe vida nas Escrituras em si mesmas, porém, se seguirmos a direção para onde as Escrituras nos levam, elas nos conduzirão até Ele e assim encontraremos a vida, não nas Escrituras, mas nEle através delas”.[1]

“Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is 40.8).

Infindáveis argumentações e debates têm surgido acerca desses manuscritos. Contudo, os crentes em Cristo podem estar certos de que tais manuscritos bíblicos antigos ratificam, apóiam e dão credibilidade à Bíblia que temos nos dias de hoje. A Palavra de Deus continua a ser a única fonte legítima da fé e da doutrina para todo aquele que busca recompensa eterna.

“São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Salmo 19.10-11).

Sendo assim, pobre Muhammad! Ele tinha esperança de encontrar os tesouros deste mundo, mas achou apenas pergaminhos despedaçados que só prestavam para fazer correias de sandálias! Lamentavelmente o lucro deste mundo é uma prioridade que absorve a pessoa completamente. O mundo considera as Escrituras Sagradas como algo sem valor; ou com alguma utilidade, de vez em quando, para serem citadas como “palavras da boca pra fora”, mas nunca para serem aceitas pela fé e praticadas. Todavia, nós, os salvos em Cristo, temos um conhecimento mais apurado. Temos conhecimento suficiente para não desprezar o tesouro verdadeiro e incalculável que só pode ser descoberto quando se faz uma escavação no solo da Palavra de Deus:


“E, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus” (Provérbios 2.3-5). (Peter Colón - Israel My Glory - http://www.beth-shalom.com.br)

A Mais Antiga das Antigüidades
A cópia mais antiga das Escrituras do Antigo Testamento conhecida até o dia de hoje foi descoberta em 1979. São dois minúsculos rolos de manuscritos feitos de prata, que eram usados como talismãs e foram descobertos dentro de um túmulo em Jerusalém. O texto de sua inscrição foi cunhado em hebraico antigo. O manuscrito, surpreendentemente, continha uma citação da benção sacerdotal registrada em Números 6.24-26:
“O Senhor te abençoe e te guarde;o Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz”.
A inscrição data do século VII a.C., por volta da época do templo de Salomão e do profeta Jeremias. Portanto, esses versículos, provenientes do quarto livro da Torah [i.e., do Pentateuco], são cerca de 400 anos mais antigos do que os Manuscritos do Mar Morto.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A ira de Deus na Bíblia Hebraica

A ira de Deus na Bíblia Hebraica
A Bíblia está repleta de exemplos de Deus ficando louco com o comportamento pecaminoso de seu povo. Por outro lado, a Bíblia repetidamente nos tranquiliza, pois Deus é "tardio em irar-se". O que significa exatamente o fato de um Deus transcendente ter emoções físicas como raiva e paciência? A resposta pode ser encontrada ao se remover as camadas de tradução e ver o original hebraico da Bíblia.
Queimando de ira
A Bíblia contém muitas histórias famosas em que o Deus de Israel é provocado até a ira pelos pecados de seu povo. Em muitos desses casos, o texto diz que "sua ira foi inflamada" (Jó 19:11) contra alguém. Felizmente, também é verdadeira a reação oposta de Deus, descrito como “tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade” (Êxodo 34:6).
O temperamento divino redefinido
Deus é realmente semelhante a uma pessoa comum temperamental? Como podemos entender isso? No hebraico original, a palavra para "ira" é af que, na verdade, significa "narina". Assim, a frase "sua ira foi inflamada" em hebraico significa literalmente que Deus está tão zangado que "suas narinas queimavam". O oposto, "tardio em irar-se", literalmente significa "suas narinas foram alongadas" - permitindo que o calor da raiva escapasse. 
Estude a Bíblia em sua intenção original

É realmente difícil entender algo tão abstrato e transcendente como Deus. É claro que o Deus incorpóreo de Israel não tem narinas! Esta é apenas uma metáfora usada pelos antigos israelitas para ajudá-los na visualização da ira divina. Infelizmente, nossas traduções bíblicas modernas disfarçam essas poderosas metáforas com a linguagem abstrata.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

OS MAGOS DO ORIENTE

OS MAGOS DO ORIENTE

O, “magos”, em grego magoi, descritos Em Mateus 2 vieram do leste de Jerusalém, procurando onde era nascido o rei dos judeus pois viram a sua “estrela” no oriente e por isso vieram adorá-lo2. Eles não eram reis, por isso é contumaz um equívoco chamá-los de “Reis Magos”. Julga-se que terá sido Tertuliano de Cartago, que no início do Século III teria escrito que os Magos do Oriente eram também reis. O motivo parece advir de algumas referências do Antigo Testamento, como é o caso do Salmo 68:29: “Por amor do Teu Templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes.”
Em vez disso, os “magos” eram sacerdotes extremamente sábios que produziam uma espécie de ciência que seria uma astronomia incipiente, às vezes amalgada com uma cultura astrológica de então. Eles eram seguidores de uma religião persa denominada Zoroastrismo. Eram considerados “sábios”, e por isso, conselheiros de reis. Poderiam ter vindo de três prováveis lugares:
a) Babilônia, o mais provável;
b) Pérsia (Irã) ; ou
c) até mesmo da Arábia, opinião advogada por Justino, cristão importante que viveu no segundo século.
Um fator extremamente importante tem a ver com a existência de uma grande comunidade de raiz judaica na antiga Babilônia, o que sem dúvida teria permitido o conhecimento das profecias messiânicas dos judeus por parte dos sábios, e a sua posterior associação de simbolismos aos fenômenos celestes que ocorriam. Consequentemente, associando as profecias conhecidas através dos judeus com seus estudos astronômicos e astrológicos, não foi difícil para estes Sábios reconhecerem a revelação divina quanto ao nascimento do Messias, o verdadeiro Rei que reinaria por todo o sempre. A antiga interpretação da história cristã através de Inácio, Justino, Tertuliano, Orígenes e Hilário é que a astrologia e a magia se curvavam ante o bebê recém nascido, Jesus, reconhecendo que seus dias estavam contados , em face do saber que vem do alto.
3. Os Magos do Oriente
Quantos magos vieram ver Jesus?
A Bíblia não diz quantos magos vieram ver o bebê Jesus em Belém. O evangelista Mateus diz que “uns magos” vieram visitá-lo. E o artigo indefinido “uns” não é sinônimo de três. O fato de serem três presentes oferecidos a Jesus também nada prova, uma vez que a forma de se presentear no oriente era diversa da que nós fazemos hoje no Ocidente. A ideia de que os visitantes eram três pelo fato de que houve três presentes não passa de suposição, sem qualquer base verdadeira no texto ou na história.
As igrejas cristãs primitivas argumentavam e discutiam sobre esse ponto. Os cristãos orientais têm uma tradição de doze sábios, cada um dos quais representaria uma das doze tribos de Israel. Alguns antigos mosaicos mostram apenas dois magos, ao passo que outros exibem sete ou mesmo onze.
O número onze teve apoiadores especiais, porquanto representa um número espiritual, visto que foi o número dos fiéis discípulos de Cristo. Entretanto, a partir do século VI a igreja ocidental estabeleceu o número de magos como três, que representariam as três raças principais da humanidade ou a Trindade. Era uma época em que se fazia de tudo para argumentar sobre a doutrina da Trindade e o número de três magos veio como uma espécie de analogia para ajudar na comprovação desta doutrina.
O que levou a igreja ocidental a estabelecer o número de magos como sendo três? No século IV a imperatriz Helena, mãe do imperador romano Constantino, teve enorme interesse em relação ao debate acerca de quem seriam esses magos. Ela era uma mulher extremamente atarefada em investigar e descobrir relíquias e lugares santos da história de Cristo. Na companhia de sacerdotes, eruditos e um astrólogo, ela fez uma viagem à Terra Santa (Israel) e eles estabeleceram alguns mitos que aos poucos tornaram-se crenças populares no meio cristão. Por exemplo, concordaram sobre o local exato do nascimento de Jesus em Belém e deram ordens para o soerguimento de uma ornamentada igreja no local. Também consagraram um sepulcro qualquer em Jerusalém supondo que seria o local em que Jesus fora sepultado.
Na mesma lógica de trabalho, a equipe descobriu três esqueletos no caminho e decidiram aleatoriamente que seriam os restos mortais dos “três magos”, que teriam sido assassinados no caminho de volta para sua terra, depois da visita a Herodes, pois essa era a explicação dos conselheiros da imperatriz. Muito tempo depois, no século IX, foram criados os seus nomes: o que deu ouro seria Melquior; o que deu incenso, Gaspar; e o que deu mirra, Baltazar. Há lendas até sobre o lugar em que foram sepultados, mas nenhum desses detalhes tem base histórica, pois foram mitos criados para satisfazer o espírito de exatidão que permeia tais lendas.
Há uma lenda que afirma que quando o veneziano Marco Polo (1254-1324) viajou para a Pérsia, as supostas tumbas dos magos lhe foram mostradas, com seus corpos perfeitamente conservados. Competindo com esta tradição, diz outra que o Imperador Zeno recuperou as relíquias dos magos em 490, em Hadramaut, na Arábia do sul. Logo depois, de Constantinopla elas foram para Milão. Quando o Imperador alemão Frederico I Barba-Ruiva (1152-1190) conquistou Milão, seu chanceler Reinald von Dassel, conseguiu levar as relíquias dos magos para sua cidade natal, Colônia. Assim, os magos, depois de tantas andanças, descansariam em paz na famosa catedral gótica de Colônia, Alemanha, desde 1164. Obviamente que tais lendas carecem de veracidade histórica, não havendo comprovação alguma quanto a estes fatos criados durante os séculos de cristianismo.
3.2 Que idade tinha jesus quando eles o visitaram?
TST as festas natalinas, nos presépios e nas encenações nas igrejas há um enorme equívoco ao se apresentar ao público a visita dos magos quando Jesus ainda está na manjedoura, sendo ainda um bebê. Essa é uma lenda existente na crença popular dos cristãos, mas ela não reflete verdade nenhuma sobre o que aconteceu. E provável que Jesus já tivesse dois anos ou, talvez, um pouco menos, quando os magos vieram visitá-lo. O grande problema no cristianismo (e em qualquer outra religião) é que as pessoas se acostumam a crer na tradição de lendas a respeito dos assuntos que envolvem a pessoa de Cristo, tornando-se cegas e incapazes de raciocinar ou até de pensar em outra possibilidade. Não é mister ter um alto grau de inteligência ou estudar acuradamente o texto, para se chegar a conclusão óbvia de que Jesus não era mais um bebê e sim uma criança quando foi visitado pelos magos. Há seis fortes argumentos que evidenciam claramente que Jesus já estivesse caminhando e falando algumas palavras quando foi visitado pelos magos:
a) o autor do Evangelho de Mateus se refere a Jesus nesse episódio como uma criança e não como um bebê;
b) Jesus já estava em sua casa em Belém e não mais na manjedoura; já havia ido a Jerusalém para ser apresentado no Templo e retornado para casa;
c) o fato de Maria ter dado apenas dois pássaros no templo como contribuição pelo nascimento do menino, o que a identificava como muito pobre, e não doou parte dos presentes que supostamente já teria ganho, já que na visita, ela, através de seu filho, ganhou ouro e outros itens valiosos.
d) a viagem do Oriente a Jerusalém demorava vários meses de preparação e vários outros de jornada pelo deserto. Os magos viram a “sua estrela” no Oriente pela primeira vez bem antes de visitá-lo;
e) os magos dão a informação solicitada por Herodes acerca do tempo em que a estrela aparecera, pois este queria matar o menino e por isso precisava saber da idade dele;
f) quando os magos não voltam a Herodes dando maiores informações acerca do endereço do menino, o rei mandou matar todos os meninos de Belém de dois anos para baixo, ou seja, a idade suposta do menino Jesus.
Conclusão
Poucas narrativas bíblicas têm sido consideradas como contendo tantas verdades espirituais como esta dos magos do oriente. Ela fornece um tipo de história resumida de todo o cristianismo. O Filho de Deus foi revelado primeiro ao judeu (José e Maria) e depois ao gentio (os astrólogos estrangeiros). Foi revelado primeiro aos humildes e ignorantes e então aos honrados e eruditos. Foi revelado aos pobres primeiro e depois aos ricos. Foi revelado ao ocidente primeiro, depois ao oriente. Foi revelado a pessoas do povo de Deus pelo método usual de Deus se manifestar: a revelação; foi revelado aos astrônomos do oriente por um método adequado aos seus hábitos e sua compreensão. Ao final, temos o objetivo principal dessa máxima revelação de Deus na história, Jesus Cristo - todos devem ir a Jesus não para obter vantagem pessoal, mas tão somente para adorá-lo.

Extraido do livro "como entender os textos mais polêmicos da Bíblia"
Jaziel Guerreiro

domingo, 30 de abril de 2017

O SIGNIFICADO DE "ISRAEL" EM HEBRAICO.

O que significa "Israel" em hebraico?


A palavra YISRAEL (יִשְׂרָאֵל - Israel) está relacionada ao verbo liSROT (לִשְׂרוֹת), que significa lutar, esforçar-se e, também, exercer influência, em hebraico. No contexto da história de Esaú e Jacó, até mesmo sobre o próprio Deus!

De Jacó a Israel

Quando Jacó (“Yaakov” em hebraico) nasceu, ele segurava Esaú pelo calcanhar, não querendo soltá-lo! Por esta razão, a palavra "seguir", לַעֲקֹב (La'AKOV) em hebraico, tornou-se eternamente relacionada a Jacó segurando o calcanhar ao nascer! O nascimento de Jacó definiu sua vida até o seu encontro com o anjo. Aí, mais uma vez, como em seu nascimento, Jacó agarrou alguém firmemente e relutou em deixá-lo ir. Ele exigiu ser abençoado. Deus o abençoou e alterou seu nome para Israel.

terça-feira, 25 de abril de 2017

ETIMOLOGIA DE “RELIGIÃO”

Etimologia de “religião”


A origem mais correta para a palavra “religião” vem do latim, e nasceu de RELIGIO, que significa “respeito pelo sagrado”. Discutisse que esta palavra do latim seja derivada de RE-, prefixo que reforça uma ideia, e o verbo LEGERE, que significa ler. Outra etimologia que é discutida é da palavra RELIGARE, também do latim, que significa atar ou ligar com firmeza. Esta palavra também tem o préfixo RE-, que reforça a ideia de LIGARE, que significa “atar”, ou até mesmo “atender um chamado”.
Cícero, o orador romano por excelência, explica a origem do vocábulo: Re-ligāre, isto é, o fato de se ligar com relação aos deuses. A tão famosa explicação de religāre como “re-ligar-se com Deus” não é apontada por Ernout, Meillet, Lactâncio e Sérvio. Religare em latim está sempre associado às forças ocultas dos deuses. O fato curioso é que provavelmente os primeiros cristãos não entendiam suas visões de mundo como “religião”, até porque os conceitos latinos, como vimos, são repletos de ideias “pagãs”. Eles jamais se autodenominavam religiosos ou seguidores de uma “religião”.

Já a palavra grega-koiné vulgarmente traduzida por religião, θρησκείᾳ, thrēskeia, não deixou uma única herdeira em nosso idioma. Quando ela aparece no Novo Testamento (5 únicas vezes), nunca é empregada nos evangelhos, é traduzida, segundo a Bíblia de Jerusalém, por “culto” (2 Col 2:18), “religioso”, “religião” (Tg 1:26), “a religião” (Tg 1:27), “[nossa] religião” (At 26:5). 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A ARMADILHA DO LIVRO "A CABANA"


A Cabana Caiu

Recentemente as igrejas evangélicas foram inundadas por exemplares do livro “A Cabana”, do canadense William Paul Young, filho de missionários em Papua Nova Guiné e formado em religião em Portland, no estado do Oregon, EUA.[1] Apesar de ser um livro que, segundo o autor, foi escrito para seus filhos, ele tem assumido um lugar entre os livros didáticos que tratam das Escrituras e de Deus. Além disso, não apenas o meio eclesiástico tem sentido a influência da estória[2] de Young, mas também o meio secular. Diários famosos e conceituados como o “New York Times”,[3] o “Washington Post”[4] e o “USA Today”,[5] deram atenção à obra e publicaram matérias reveladoras sobre seu impacto e alcance.

Sempre que uma obra toma esse vulto, principalmente dentro da igreja, os pastores têm a responsabilidade de analisá-la com cuidado e atenção. Dispus-me a fazer exatamente isso. Adquirir o livro não foi nenhum problema, pois está sendo vendido até mesmo em lojas de produtos eletrônicos. Depois de comprado, não foi nem difícil, nem demorado encontrar algum irmão que, notando o livro em minhas mãos, demonstrasse sua satisfação em me ver compartilhando com ele tal experiência. Depois de concluída a leitura, busquei ainda conhecer a reação de algumas pessoas ao livro. Dentre eles, um jovem disse ter notado algumas coisas estranhas que não entendeu muito bem, mas que, apesar disso, achou a leitura fantástica e empolgante. Um professor de Teologia de uma faculdade teológica de outro estado relatou-me que a obra é positiva na quebra da visão machista sobre Deus e sobre o relacionamento da Trindade, além de fazer eco às aspirações populares por “formas religiosas mais palatáveis, diferentes da religiosidade oferecida pela religião oficial, normalmente baseada em tradições, moralismos e proibições.”

O LIVRO

Toda essa inquietação e euforia no meio evangélico é fruto de uma estória em que o personagem principal perde sua filha mais nova em um seqüestro e assassinato por um assassino de meninas. Esse fato horrível abre nele um espaço para o que chama de “Grande Tristeza” e um relacionamento frágil com Deus, a quem culpa por não evitar a tragédia. Isso perdura até que o próprio Deus o convida a voltar à cena do crime, uma velha cabana nas montanhas, e se apresenta a ele como uma cozinheira negra (Deus, o Pai), um carpinteiro israelita (Jesus) e uma mulher oriental (o Espírito Santo). Depois desse inusitado encontro, o que era uma narrativa envolvente se torna uma exposição das impressões e convicções do autor[6] sobre as pessoas divinas dentro da Trindade, sobre o relacionamento entre eles e em relação aos homens, a condição humana, a salvação, a igreja, as Escrituras e a situação de Deus diante do mal.

Uma das primeiras coisas que notei ao chegar ao capítulo 5 do livro, onde realmente a visão do autor sobre Deus começa a ser exposta, é o desejo de quebrar paradigmas. O autor parece desconfortável com a visão sobre Deus e sua personalidade. Quando Young relata o espanto de Mack, um cristão criado dentro da igreja desde pequeno, com seu encontro com duas pessoas da Trindade em forma de mulheres, não acredito que o autor tenha tais concepções, mas creio que seu desejo é que os leitores achem antiquada a postura de acolher conceitos tradicionais. O Pai, no livro, explica: “Para mim, aparecer como mulher e sugerir que você me chame de Papai é simplesmente para ajudá-lo a não sucumbir tão facilmente aos seus condicionamentos religiosos.”[7] Parece que o autor considera as visões tradicionais sobre Deus como “estereótipos” que não devem ser encorajados[8] e como “idéias preconcebidas” nas quais Deus não se encaixa.[9] Em pouco tempo, Mack se dá conta de que “nada do que estudara na escola dominical da igreja estava ajudando”[10] a compreender o Deus que estava diante dele. Parece ser sugerido que o leitor deve ficar aberto a novos conceitos. O conselho do Espírito Santo a Mack é: “Verifique suas percepções e além disso verifique a verdade de seus paradigmas, dos seus padrões, daquilo em que você acredita. Só porque você acredita numa coisa não significa que ela seja verdadeira. Disponha-se a reexaminar aquilo em que você acredita.”[11] Assim, novos conceitos são inseridos.

ESCRITURAS

Um desses conceitos é uma visão depreciativa sobre o ensino bíblico. Por diversas vezes as Escrituras, ou o ensino eclesiástico das Escrituras, é citado em contraposição a uma nova verdade apresentada pelas pessoas da Trindade. Exemplo disso é que Mack, apesar de ser um cristão que sempre vai aos cultos e recebe instrução bíblica, se dá conta de que não conhece Jesus como achava que conhecia. Diante disso, Jesus lhe transmite um conhecimento que nunca antes lhe foi ensinado: “Deus que é base de todo ser, mora dentro, através e em volta de todas as coisas, e emerge em última instância como o real. Qualquer aparência que mascare essa verdade está destinada a cair.”[12] A Bíblia, que certamente não apresenta essa versão “panteísta” ou “panenteísta” da Divindade, fatalmente se torna alvo dessa afirmação. Na verdade, ela sofre a sugestão de ser um instrumento que não contém a verdade, mas que é usado por Deus devido à complexidade da situação humana depois de se afastar dele. O Pai, ao responder por que se “revela” de modo paterno, diz: “Assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta que a maternidade.”[13] Assim, Mack percebe que ao sair da escola dominical, onde as Escrituras são ensinadas, freqüentemente tinha “as respostas certas”, mas que isso não fazia que ele conhecesse a Deus.[14] Fica sugerida a idéia de que a Bíblia contém inverdades devido às limitações e carências do homem. Entretanto, há verdades além dela que o homem que se relaciona com Deus pode alcançar. Por isso, no momento em que Deus fala a Mack sobre verdades nunca antes por ele imaginadas, explica em tom depreciativo: “Aqui não é a escola dominical. É uma aula de vôo.”[15]

IGREJA

A igreja é mais uma vítima da obra de Young. Sob a égide da religião ela é acusada de manipular os fiéis por causa da cobiça e desejo de poder dos seus líderes. Como instituição ela é fonte de contrariedades para Jesus, que afirma: “Eu não crio instituições. Nunca criei, nunca criarei.”[16] Para que não fique dúvidas sobre o sentido dessas palavras, Jesus completa em meio a uma expressão sombria: “Não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia... E por que deveria gostar? É a trindade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto.”[17] Ao vislumbrar com assombro tudo o que aprendeu no passado, Mack exclama: “Quantas mentiras me contaram!”[18] Jesus completa a decepção de Mack respondendo uma pergunta sobre o significado de ser cristão com as palavras: “Quem disse alguma coisa sobre ser cristão? Eu não sou cristão.”[19] Um dos motivos do desprezo de Deus pela estrutura eclesiástica seria a presença nela de uma hierarquia, ou uma “cadeia de comando”, o que, mesmo na divindade, parece ser um conceito “medonho” e um relacionamento “opressivo.”[20] Jesus explica que a autoridade “é meramente a desculpa que o forte usa para fazer com que os outros se sujeitem ao que ele quer.”[21]  E completa dizendo: “É um sistema humano. Não foi isso que eu vim construir... Por mais bem-intencionada que seja, você sabe que a máquina religiosa é capaz de engolir as pessoas!”[22]

SALVAÇÃO UNIVERSAL

Salvação universal, ou universalismo, é outra idéia apresentada por Young. Significa que todos, sem exceção, serão salvos por Cristo. Diferente de outros pontos, este se mostra clara e abertamente no livro e começa a se delinear quando Mack se surpreende ao ver o grande amor do Pai pelas pessoas. Diante disso ele pergunta se há alguém de quem o Pai não goste. A resposta é: “Não, não consigo encontrar ninguém. Acho que sou assim.”[23] Isso sugere, que Deus se relaciona bem com todos os seres humanos independente de qualquer condição. Entretanto, o que é, a princípio, apenas uma sugestão, se expande quando Jesus é questionado se todas as estradas levam a ele. Jesus responde que, no processo de tornar as pessoas filhos e filhas do Pai, “a maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês.”[24] Assim, em meio a um certo sarcasmo, explica: “Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa.”[25] Apesar da clareza com que o universalismo é exposto aqui, o autor parece não ficar satisfeito e deseja garantir que atingiu seu objetivo. Assim, o Pai diz a Mack que “a morte dele [Jesus] e sua ressurreição foram a razão pela qual eu agora estou reconciliado com o mundo.” Mack pergunta: “Com o mundo inteiro? Quer dizer, com os que acreditam em você, não é?” O Pai responde: “Com o mundo inteiro.”[26] Dito isso, explica que cabe ao homem apenas escolher se quer ou não se relacionar com Deus: “Em Jesus eu perdoei todos os humanos por seus pecados contra mim, mas só alguns escolheram se relacionar comigo.”[27]

Em lugar de salvação, o livro “A Cabana” dá ênfase ao relacionamento com Deus. Estando todos os homens salvos, o que resta é terem união com a Divindade. O Pai deixa isso claro dizendo: “A liberdade é um processo que acontece dentro de um relacionamento com ele [Jesus].”[28] Segundo Young, esse relacionamento pode ter muitas vias, mas a melhor delas é Jesus, que diz: “Eu sou o melhor modo que qualquer humano pode ter de se relacionar com Papai [o Pai] ou com Sarayu [Espírito Santo].”[29] Questionado sobre como um homem pode fazer parte da Igreja de Deus, Jesus responde: “É simples, Mack. Tudo só tem a ver com relacionamentos e com o fato de compartilhar a vida.”[30] O relacionamento que o autor apresenta é muito convidativo. Deus é alguém agradável, bem-humorado e de fácil convivência. Entretanto, o relacionamento apresentado segue um modelo onde não há diferença entre os participantes. Deus é um grande amigo, mas não é Senhor. Deus é irmão, mas não é Rei. Deus é amoroso, mas não é soberano. O Pai explica: “Criamos vocês, os humanos, para estarem num relacionamento de igual para igual conosco e para se juntarem ao nosso círculo de amor.”[31] Deste modo, a falta de fé não é o que impede a união do homem com Deus, mas a falta do conhecimento que possibilite o relacionamento. Sob essa ótica, o Pai aponta o “verdadeiro” problema: “A verdadeira falha implícita na sua vida... é que você não acha que eu sou bom. Se soubesse que eu sou bom e que tudo... é coberto por minha bondade... confiaria em mim... A confiança é fruto de um relacionamento em que você sabe que é amado. Como você não sabe que eu o amo, não pode confiar em mim.”[32] “Não sou um valentão nem uma divindade egocêntrica e exigente que insiste que as coisas sejam feitas do jeito que eu quero.”[33] Essas frases realmente enchem os corações daqueles que desejam um relacionamento sem compromissos com o Senhor. É o anseio de quem deseja os benefícios da amizade de Deus sem ter que se amoldar ao seu caráter ou à sua vontade para tanto. Não há submissão do homem a Deus. Jesus diz: “Submissão não tem nada a ver com autoridade e não é obediência. Tem a ver com relacionamentos de amor e respeito. Na verdade somos igualmente submetidos a você.”[34]

CONDUTA E CONDENAÇÃO

Duas idéias desprezadas por Young são a existência de um padrão de conduta para os que se relacionam com Deus e a condenação daqueles que não seguem o caminho estipulado pelo Senhor. Para transmitir essa opinião, a narrativa expõe o Pai dançando e se remexendo ao som da música de uma banda de nome Diatribe, cujo significado é de um discurso crítico e agressivo vindas de uma postura rebelde. Mack, surpreso, diz que isso não parece muito religioso. O Pai, ainda bamboleando e batendo palmas, responde: “Ah, acredite: não é. É mais tipo funk e blues eurasiano, com uma mensagem fantástica.” Sobre a tal mensagem fantástica, explica: “Esses garotos não estão dizendo nada que eu já não tenha ouvido antes. Simplesmente são cheios de vinagre e gás. Muita raiva e, devo dizer, com um bocado de razão. São apenas alguns dos meus meninos se mostrando e fazendo beicinho.”[35] A aceitação divina para a postura rebelde e raivosa de tais rapazes nos remete aos conceitos da pós-modernidade sobre a validade e veracidade de todas as idéias, gostos e posturas. Não há absolutos. Nesse caso, parece que para Deus também não. Ele é capaz de se “entrosar” com qualquer tipo de atitude. Isso fica expresso quando Jesus reprova os julgamentos éticos e morais, qualificando-os uma como tentativa humana de firmar sua independência de Deus. Ele diz: “Ao optar por definir o que é bom e o que é mau, vocês buscam determinar seu próprio destino. Foi essa reviravolta que causou tanta dor.”[36] “Você deve desistir de seu direito de decidir o que é bom e ruim e escolher viver apenas em mim.”[37] Assim, qualquer postura ou procedimento que o homem decidir ter, Deus aceita. O erro não está em agir mal, mas em julgar as ações. A sabedoria de Deus, personificada em uma mulher de nome Sophia,[38] diz: “Julgar exige que você se considere superior a quem você julga.”[39] Deus não nutre expectativas a respeito do homem. Por conhecer o futuro, Deus não tem necessidade de ter expectativas. Diz o Pai: “Por que teria uma expectativa diferente daquilo que eu já sei. Seria idiotice. E, além disso, como não a tenho, vocês nunca me desapontam.”[40] A conseqüência disso é a sensação no homem de “um grande alívio, porque elimina qualquer exigência de comportamento,”[41] explica Jesus.

Por não haver qualquer tipo de exigência de Deus sobre a humanidade, também não há qualquer tipo de reprovação ou condenação. Não há o que condenar. As conseqüências dos erros dos homens não transcendem essa vida, nem afetam mais que suas próprias experiências. O Pai explica: “Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro.”[42] O juízo de Deus nada tem a ver com punição, pois “julgar não é destruir, mas consertar as coisas.”[43] Esse conserto, como já vimos, não tem relação com perdão e justificação, mas com a produção de um bom relacionamento. O autor sugere que Deus vê a condenação como uma expressão de injustiça. O próprio Pai, ao falar de si, diz: “Não uso humilhação, nem culpa, nem condenação. Elas não produzem uma fagulha de plenitude ou de justiça e por isso foram pregadas em Jesus na cruz.”[44]

ENCARNAÇÃO E MORTE DA TRINDADE

Desconsiderando as Escrituras, além da história e da teologia dos primeiros séculos da igreja cristã e dos seus primeiros concílios, Young afeta a ortodoxia em relação à Divindade em alguns pontos que dão margem a grandes distorções. Em vista de Adão ter desvirtuado o relacionamento com Deus, as três pessoas da Trindade se puseram no processo de reverter tais danos. O Pai conta a Mack: “Em vez de varrer toda a Criação, arregaçamos as mangas e entramos no meio da bagunça. Foi o que fizemos em Jesus... Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue.”[45] Com isso, o autor afirma que a encarnação envolveu não só o Filho, mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo, os três encarnados no homem Jesus Cristo. No livro, não apenas Jesus apresenta as marcas da crucificação, mas as compartilha com o Pai. Mack, ao olhar para o Pai em sua aparição feminina, “notou as cicatrizes nos pulsos na negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos.” Ao olhar para as marcas da cruz de Cristo, o Pai disse a Mack: “Nós estávamos lá, juntos.”[46] Mais adiante Sophia alerta Mack: “Você não viu os ferimentos em Papai [o Pai] também?... Ele escolheu o caminho da cruz, onde a misericórdia triunfa sobre a justiça por causa do amor.”[47] Essa perigosa afirmação, que contrapõe a misericórdia à justiça como se fossem inconciliáveis, também ressuscita uma antiga heresia de nome “patripassianismo” que propõe que o Pai sofreu a morte na cruz. A diferença entre essa modelo de patripassianismo e o antigo está no fato de o antigo propor a existência de uma só pessoa divina que se mostra de modos diferentes, enquanto o modelo do livro propõe a encarnação do Pai junto com o Filho no homem Jesus Cristo.

TEODICÉIA E TEÍSMO ABERTO

Teodicéia é o campo da Teologia que lida com a existência de um Deus bom diante da realidade do mal, de modo a defender a “justiça de Deus”. Young se propõe a isso. Para ele, Deus não é culpado por nenhum mal. Apesar de acertar nessa tese, o erro de Young está em justificar Deus tirando-o da jurisdição onde o mal se apresenta. Quando Mack questiona o motivo pelo qual sua filha teve que morrer, ouve a seguinte explicação: “Ela não teve, Mackenzie. Isso não foi nenhum plano de Papai [o Pai]. Papai nunca precisou do mal para realizar seus propósitos. Foram vocês, humanos, que abraçaram o mal, e Papai respondeu com bondade.”[48] Apesar de ser verdade que o mal é uma ação de responsabilidade do homem pecador, o motivo apresentado por Young para defender a justiça de Deus diante da maldade do mundo é sua “falta de soberania”. Ao dizer que Deus não planejou a morte da menina, a inferência é que “Deus não esta no controle”. Coisas acontecem sem Deus ter planejado ou controlado, ao passo que eventos planejados por ele esbarram nos desejos e atos pecaminosos de homens que frustram os planos divinos. Deste modo, Deus não é responsável pelo mal, mas também não é soberano sobre a criação. Por isso, o Pai diz a Mack: “Eu crio um bem incrível a partir de tragédias indescritíveis, mas isso não significa que as orquestre. Nunca pense que o fato de eu usar algo para um bem maior significa que eu o provoquei ou que preciso dele para realizar meus propósitos.”[49]

A justificação de Deus por meio da usurpação da sua soberania, além de errada, leva a um problema ainda maior: o Teísmo Aberto. Este nada mais é que uma forma de Teodicéia levada até as últimas conseqüências. Ensina que se Deus limita no uso de atributos como onipotência[50] e onisciência[51] a fim de resguardar a liberdade humana. Por isso, o Pai diz a Mack: “Nós nos limitamos por respeito a você... Os relacionamentos não têm nada a ver com poder. Nunca! E um modo de evitar a vontade de exercer poder é escolher se limitar e servir.”[52] “Nós respeitamos cuidadosamente as suas escolhas e por isso trabalhamos dentro dos seus sistemas, ao mesmo tempo que procuramos libertá-los deles. A Criação foi levada por um caminho muito diferente daquele que desejávamos.”[53] Jesus concorda com o Pai e diz: “Já notou que, mesmo que me chamem de Senhor e Rei, eu realmente nunca agi desse modo com vocês? Nunca assumi o controle de suas escolhas nem os obriguei a fazer nada, mesmo quando o que estavam fazendo era destrutivo para vocês mesmos e para os outros?... Forçar minha vontade sobre vocês é exatamente o que o amor não faz.”[54] Sob esse olhar o Pai une a Teodicéia ao Teísmo Aberto e defende sua justiça e amor diante do mal baseado na sua autolimitação e no respeito à liberdade do homem, explicando: “Todo o mal decorre da independência e a independência foi a escolha que vocês fizeram. Se fosse simples anular todas as escolhas de independência, o mundo que você conhece deixaria de existir e o amor não teria significado. O mundo não é um playground onde eu mantenho todos os meus filhos livres do mal. O mal é o caos, mas não tem a palavra final. Agora ele toca todos que eu amo, os que me seguem e os que não me seguem. Se eu eliminar as conseqüências das escolhas das pessoas, destruo a possibilidade do amor. O amor forçado não é amor. ”[55]

O QUE AS ESCRITURAS ENSINAM?

Em contraposição às convicções de Young expostas no livro “A Cabana”, as Escrituras afirmam que:

a)     As Escrituras foram inspiradas por Deus (2Tm 3.16), foram dadas pela vontade de Deus através do Espírito Santo (2Pe 1.20,21), não contêm erros (Jo 10.35) e apresentam Cristo a fim de salvar o perdido (Jo 20.30,31; Rm 1.16; 10.17; 1Co 1.21), de modo que desconhecer ou desprezar as Escrituras constitui um erro (Mt 22.29).

b)    Jesus é o fundador da Igreja (Mt 16.18; At 20.28). Ela tem a função de defender e proclamar a verdade (1Tm 3.15; 1Pe 2.9) e promover a glória de Deus (Ef 3.21). Jesus, o dono de toda autoridade (Mt 28.18), concedeu aos discípulos a autoridade de pregar a verdade e expandir a Igreja em obediência ao Senhor (Mt 28.19,20). Visto que a autoridade não é má e que é instituída por Deus (Rm 13.1,2), a Igreja também foi formada por ele com autoridades para que houvesse edificação, correção e ensino (2Co 10.8; 13.10; Tt 2.15), assim como o lar (1Tm 2.12; 3.4-5).

c)     A salvação e a reconciliação com Deus se dão única e tão somente pela fé em Cristo (Jo 3.36; 6.47; Rm 5.1; 8.1; Ef 1.7). Não há outros meios de ter comunhão com Deus (Jo 14.6; At 4.12; 1Tm 2.5) e não há meios de crer em Cristo a não ser por meio da pregação do Evangelho (Rm 10.13-15). Quem não crê em Cristo como salvador permanece perdido e sobre ele permanece o juízo de Deus (Jo 3.18,36). O resultado de não crer em Cristo é ser julgado por Deus e condenado ao afastamento e sofrimento eternos (Dn 12.2; Mt 7.23; 8.12; Hb 9.27).

d)    Há um padrão de conduta que deve ser seguido por aqueles que querem ter comunhão com Deus (1Pe 1.16). A busca por esse padrão é tanto o objetivo e o dever dos salvos (Jo 8.11; Rm 12.1-2; Gl 5.22-15; Fp 2.12; 1Jo 2.1), quanto a prova do seu amor por Cristo (Jo 14.21; 1Jo 4.21). Deus disciplina seus filhos que se desviam da busca da santidade a fim de voltarem a servi-lo (1Co 11.32; Hb 12.4-10).

e)     Cristo, ele apenas, encarnou para efetuar a obra da salvação recebendo nele o castigo pelo pecado dos que crêem (Jo 1.14; Fp 2.5-9; 1Tm 2.5). As outras pessoas da Trindade interagiram na obra da salvação “não encarnados” na pessoa do homem Jesus (Mt 1.20; 3.16,17; 16.17; 23.9; Mc 15.34; Jo 14.26; 16.7).

f)     Deus é plenamente soberano sobre toda a história e sobre toda a criação (Sl 103.19; Dn 4.17,35; Mt 10.29). Sua vontade é sempre efetivada pelos seus atos (Jó 42.2; Is 14.24,27; Ef 1.11). A soberania divina se faz sentir sobre a humanidade (Pv 21.1; At 4.27,28; Rm 9.15-18) e a vontade do Senhor não é limitada pela vontade humana (Sl 33.10). Os decretos do Senhor são retos e não há qualquer injustiça em Deus, na sua vontade e na aplicação do seu poder (Jó 40.1-4; Rm 9.14,19-24).

CONCLUSÃO

Essa breve análise demonstra o quanto William Paul Young, em sua obra “A Cabana”, está distante de ser um pregador da verdade ou um instrumento de propagação do conhecimento sobre Deus e sobre o relacionamento com ele. O fato de “A Cabana” encontrar acolhida dentro das igrejas cristãs revela duas tristes verdades: em primeiro lugar, a falta de orientação bíblica adequada por parte dos pastores e professores das Escrituras e, em segundo lugar, o pernicioso desejo de um relacionamento com Deus que não envolva compromisso, autonegação, luta contra o pecado e busca de santidade.

Além disso, percebe-se claramente a necessidade que os cristãos têm de avaliar os ensinos de pessoas famosas e destacadas a fim de não serem alvos de erros baseados na confiança em tais personalidades. O fato de Michael W. Smith, músico e autor de canções bonitas, apesar de repetitivas e com uma teologia rasa, dar seu aval ao livro, impresso na contracapa da edição em português, é de fato assustador. Entretanto, mais assustador ainda é ler a declaração de um escritor proeminente como Eugene Peterson, ao dar seu apoio a uma obra tão perigosa quanto estranha aos ensinos bíblicos.[56]

Nossa oração ao Senhor é que o amor dos cristãos pela Palavra de Deus e pela santidade prevaleça sobre o desejo de um sistema que autorize e encoraje vidas sem submissão a Cristo. Também que pastores e professores das Escrituras se afadiguem ainda mais na exposição da verdade do Evangelho que rende a Deus todo louvor, que apresenta Cristo como único meio de salvação e que ensina ao homem sua posição diante do Deus eterno e Todo-Poderoso

Pr. Thomas Tronco



sábado, 15 de abril de 2017

A SINDROME DE DIÓTREFES

A SÍNDROME DE DIÓTREFES

"Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de ter entre eles a primazia, não nos recebe." III João 1:9

    Sindrome é um conjunto de características ou de sinais associados a uma condição crítica, suscetível de despertar reações de temor e insegurança. No caso em pauta, a síndrome de Diótrefes de se aplica aquele tipo de gente que tem medo de perder a sua projeção social, quer no meio secular, como no eclesiástico. Traduzindo, ela se caracteriza pelo sentimento de medo, insegurança e até de inveja, naqueles que gostam de exercer sua evidência diante de quem pode lhes ameaçar sua projeção pessoal.

    O personagem bíblico chamado Diótrefes, foi portador da síndrome que nesta pastoral, leva o seu nome, isto porque, diz o texto, que por gostar de exercer a primazia:" fama, autoridade, influência, decisão, etc.", não quis receber João, quando este apóstolo do amor, estava em viagem para comunidade de Éfeso. Imagino quanta dificuldade passou João, a ponto de registrar em sua epístola tal acontecimento.

    Os portadores de tal síndrome são capazes de causar dificuldades há qualquer um que seja, desde que se projete como uma possível sombra à sua projeção pessoal.

    Encontramos muitos Diótrefes em nossas igrejas hoje em dia, e por conseguinte, muitas pessoas são vítimas dos portadores desta síndrome. Os que a têm se manifestam através do desejo de primazia que buscam exercer na comunidade local, querendo mandar em tudo, entrar em áreas que não são de sua alçada, e até mesmo usurpando a posição de outrem. O grande problema, é que os Diíotrefes de hoje, como no passado, registrado por João, excercem influência, a tal ponto de rejeitarem aqueles que vêm em nome do Senhor, e ainda, são capazes de tudo para impedir o surgimento de alguém que ofusque a sua imagem, que deve estar sempre em evidência.

    Imagine que tipo de acusações ou insinuações não deve ter sofrido por parte de Diótrefes, o apóstolo João, aquele que era considerado por Jesus como o discípulo amado, para não ser recebido na sua igreja.

    Podemos evidenciar esta síndrome em nossos dias quando vemos pessoas que têm medo do crescimento da igreja. E estão sempre dizendo: Cuidado com o crescimento, cuidado com isso, cuidado com aquilo, sobre o pretexto do zelo com a igreja, mas que em última análise, escondem o medo da participação na comunidade de gente nova, com boas idéias, talvez tão ricas em talentos como João, mas que mexem no status quo dos portadores de tal síndrome..

    Indentificámo-la também naquele tipo de gente que gosta de ter uma penca de cargos, encargos e responsabilidades na igreja, e brigam pelo seu setor ou departamento, mesmo que para os tais não estejam preparados, mas apenas para massagearem a alma e alimentarem a síndrome de Diótrefes, dos quais são portadores.

    Os portadores desse mal também podem ser achados entre os críticos de plantão, para os quais, tudo tem um senão, uma contestação, uma observação pejorativa, buscando sempre duas finalidades: atingir aqueles que tem a primazia legal, autorizada por Deus e segundo, projetando a sua primazia oca, vazia, destituída de um coração humilde, mas cheia de petulância, de arrogância, e que ainda que com palavras mansas, impedem o crescimento sadio de sua igreja ou o desenvolvimento de outros.

    Para essa gente, portadora dessa doença eclesiástica, existe uma busca constante para descobrir o erro ou o "furo" dos que estão exercendo qualquer espécie de liderança. Isto porque, como a liderança que exercem, as vezes não é natural, buscam minar através da crítica, a vocação natural daqueles que a têm.

    Diz-se que a crítica é a forma mais desonesta elogiarmos a nós mesmos. Sim, os portadores desta síndrome não se cansam de apregoar os erros alheios, rotulando de forma perversa e mordaz os que desenvolvem um trabalho honesto e sincero para com Deus, apenas pela motivação de continuarem mandando, mandando, mandando, etc., até que não fique um que agüente mais as suas ordens e o seu desejo alucinante do poder ou de aparecer, mesmo que isso traga uma grande dificuldade para o crescimento da comunidade local. Ocorre, porém, que os portadores da síndrome de Diótrefes, não estão preocupados com a igreja não, a única preocupação que evidenciam, é consigo mesmo, com sua imagem pública e pelo seu imenso desejo de aparecer! E esquecem um principio elementar da Palavra de Deus: Quem é assim nada sabe, é tolo, pois os possuidores dessa síndrome encaixam-se na seguinte descrição bíblica: "é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas... (I Tm 6:4).

Pr. Neucir Valentim